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domingo, 18 de agosto de 2013

MANUAL DE ACROBACIAS




Dedicado a todas as espécies de animais vítimas de maus tratos, torturas e toda sorte de barbáries impostas direta ou indiretamente pelos seres humanos.



Eu sou o acrobata da jaula dos fundos, porém todos me vêem.

Vou deixar minhas garras à mostra na grade e me contorcer preso às algemas que te livram das minhas unhadas e dentadas bruscas, porque você é fraco e covarde mesmo parecendo ser o preferido do espetáculo de Deus.

Se eu escapar daqui, vou sim arrancar ferozmente esse sorriso do seu rosto triste, pusilânime; é como se você quisesse ser o próprio Deus.

As tochas estão apagadas e vocês não têm fósforo.

Não adianta você tomar dimetiltriptamina, a sua imbecilidade explodirá sem nenhuma discrição.

Vou deixar minhas presas à vista na esperança de que alguém tenha medo e todos se afastem.

Eu sou o acrobata torturado da jaula dos fundos, porém todos me vêem. O ar que respiro é diferente do seu, porque você pensa que é superior a mim.

Mas eu sou o uivo que arrebenta seus tímpanos e o urro que lateja em suas tripas.

Entre um passo e outro, você era eu ontem.

Uma espera na fila do circo com suas crueldades e cruezas, ingressos alfanuméricos, nenhuma esfinge, um terror. Um terror. Repita comigo: só terror.




Esta é a minha versão do poema Manual de acrobacias, do poeta Carlos Augusto Lima. Para ler o poema original, acesse o blog www..memoriaeprojeto.wordpress.com.








sexta-feira, 26 de julho de 2013

ODOR DE ROSAS

No escritório

Edgar estava sentado em sua cadeira giratória diante da escrivaninha. Os pensamentos corriam pela sua mente. Já estava decidido. Não era uma decisão baseada na mágoa ou no desespero. Era sim, resultado de uma análise serena da realidade. Estava cansado.
Ele morava com a mãe e a esposa num amplo apartamento em um elegante bairro de São Paulo. A mãe e a esposa eram muito parecidas em vários aspectos. Bem diz a psicanálise, que o homem se relaciona com mulheres semelhantes à mãe.
Seu único afeto e preocupação era Spike, um vira-latinha que ele resgatou ainda filhote de um esgoto. Estava voltando para casa, quando avistou o pequeno tentando escalar a margem do rio e escorregando. Ao ver esta cena, apiedou-se e estacionou o carro para tirá-lo dali. Isso já tinha um ano e Spike havia se tornado um belo cão de porte médio e pelagem brilhante.
Edgar travou uma briga séria dentro de casa para manter Spike. A esposa e a mãe não queriam o pequeno. Por elas, ele seria abandonado mais uma vez.
Também sentia saudade de seu pai que fora assassinado num assalto. O bandido abordou e ele reagiu. Depois disso, tirou porte de arma e comprou uma pistola para se defender.

No salão de festas do prédio

Dona Marta estava presidindo uma reunião de senhoras do condomínio. Elas discutiam a decoração do hall de entrada. Precisavam decidir se os vasos de porcelana ficariam do lado direito ou esquerdo da portaria, se o espelho ficaria em frente ao elevador e o uniforme dos funcionários do prédio. Ela nem notou que Edgar chegou mais cedo em casa e estava no escritório há mais de uma hora.
Num intervalo da reunião, Dona Marta pediu a um dos funcionários para lavar a entrada de seu apartamento e depois passar "bom ar" porque Edgar tinha passado por ali com Spike no dia anterior. Ela tinha nojo de animais; segundo a psicanálise, pessoas assim, inconscientemente sentem-se impuras e sujas e projetam isso no animal.

Na joalheria

Melina estava na joalheria escolhendo uma jóia para compor seu visual para ir à festa dos Silveira Borges no próximo fim de semana. A atendente, muito educada, mostrava as finas peças da loja.
Ela tinha deixado o carro no lava-rápido ao lado para fazer hidratação e uma desinfecção por dentro. No dia anterior, Edgar tinha transportado Spike no carro. Ela também tinha nojo.

No escritório

A preocupação de Edgar com Spike havia cessado. Com ajuda da funcionária da Pet Shop, ele encontrou uma família de gente boa e honesta para adotar Spike. Eles se apaixonaram por ele. Edgar o entregou à família com um nó no coração, mas era necessário. Dona Marta e Melina poderiam fazer algum mal a ele.

No elevador

Depois de terminada a estafante reunião sobre a posição dos vasos e a estampa do uniforme dos funcionários, Dona Marta estava subindo ao seu apartamento. Chegou na porta e sentiu o cheirinho do bom ar, o funcionário fez exatamente como ela pediu.
Entrou em casa satisfeita e foi direto à televisão. Não percebeu que Edgar estava no escritório.

No carro

Melina escolheu uma bela jóia e estava voltando para casa em seu carro hidratado e desinfetado. Ao entrar na avenida principal, o trânsito estava parado, polícia, ambulância. Os policiais sinalizando. Quando ela passou pela ambulância, sem querer, viu o cadáver estirado na calçada, olho arregalado de susto e dedos crispados. 
A mandíbula estava cerrada e tinha um buraco vermelho no meio do peito. E ela, tão fofinha, vendo aquilo. O cadáver duro e trincante estirado na calçada sob as luzes do giroflex e os sons das sirenes.
Ela gritou dentro do carro fechado, blindado e hidratado.
Logo chegou em casa, ufa! Foi direto ao cofre guardar sua nova jóia.

No escritório

Edgar tirou a pistola da gaveta e a manuseou; estava carregada. Sabia qual região do cérebro era fatal. Não podia errar. Colocou para tocar Robert Johnson. Levantou-se, andou um pouco, pegou um retrato do pai e olhou-o bem. Foi na janela, observou as luzes. Voltou à cadeira, sentou-se e apontou a arma para o alvo certo. Venceu todas as barreiras do instinto e do medo. Atirou.

Na sala

Melina e Dona Marta ouviram o disparo. Um só disparo. Veio do escritório! Encontraram Edgar debruçado sobre a mesa e o sangue escorrendo. Gritaram. Dona Marta desmaiou. O cheiro de pólvora com sangue inundou tudo e ficou impregnado nos objetos.

No enterro

Melina e Dona Marta jogavam punhados de terra sobre o caixão que ia baixando na cova. Depois foram embora de braços dados. Agora não tem mais preocupação com o mau cheiro de Spike.


Texto de minha própria autoria.

POEMA: CURRICULUM VITAE



Ah, desculpe, não preenchi nenhum requerimento. Sou sobrevivente de guerra e tenho mania de perseguição. Posso acreditar que você é um agente da repressão.

Caminho neste mundo há algumas décadas e fiz questão de ouvir o Metallica.

Não tem fato relevante nenhum, apenas o trabalho de Sísifo e um engano a cada cinco minutos de conversa.

O que ocorre é que sou estrangeira em todos os lugares.

É, eu tenho lá um diploma, se você quiser, trago cópias. Mas neles não está escrito que eu vou ler a tábua de Moisés.

A minha formação principal veio das inúmeras audições das sinfonias dos latidos, dos gatos guerreando, do mocho piando e do urro que vem dos bosques.

Foto minha? Ah, eu vou te trazer um Francis Bacon.


Poema de minha própria autoria.

sábado, 13 de julho de 2013

HOJE: DIA MUNDIAL DO ROCK




Hoje é dia de falar de rock´n´roll. Inconfundível estilo que movimentou e transformou gerações. É um estilo popular, responde aos anseios de milhões, mas assim mesmo, meio restrito. Nos seus primeiros momentos, lá na época de Chuck Berry, por exemplo, ainda associado a "coisa do diabo". Descendente legítimo do Blues, o rock é o grito dos oprimidos. Os bluesmen também tinham esse estigma de "vendidos ao diabo", é só olhar as letras de Robert Johnson. Claro, sempre que aparece alguma manifestação cultural dos oprimidos, trata-se logo de demonizá-las, como aconteceu aqui no Brasil com o candomblé. Para as classes dominantes, era um culto demoníaco, tanto que era proibido até a década de 50, se não me engano.

E se é para falar em grito, ontem ouvindo a 89.1 FM, a rádio rock, fiquei sabendo que Eric Carr, baterista do Kiss, estaria fazendo 61 anos de idade, se estivesse vivo. Ele morreu de um tipo raro de câncer no coração (nossa, nunca ouvi falar nisso) em 24 de novembro de 1991, mesmo dia de Freddy Mercury. Dia medonho para os roqueiros.

Lembram da batida da música I love it loud? Então, essa é a marca do talento de Eric Carr. Olhando a letra da música, vi que é puramente a essência do rock, o grito, o estalar de vida, a catarse. E aí, lembrei-me de duas outras obras: "Song for my self" (Canção para mim mesmo) do lendário Walt Whitman e "AA UU" dos Titãs. As três têm isso em comum: o grito, o protesto, a catarse, o despertar; o dizer NÃO à onda de imbecilização coletiva. Isso acontece muito em arte, já repararam? Artistas que estão distantes no tempo e no espaço, de repente, criam obras com a mesma essência. Aliás, eu tenho um outro texto aqui mesmo no blog demonstrando isso. Revejam:

Vamos ver as letras:

I love it loud, Kiss

Love It Loud

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!

Stand up, you don't have to be afraid
Get down, love is like a hurricane
Streetboy, though I never could be tamed
Better believe it

Guilty, 'til I'm proven innocent
Whiplash, heavy metal accident
Rock on, I wanna be the president

('Cause I love it)

Loud, I wanna hear it loud
Right between the eyes
Loud, I wanna hear it loud
Don't want no compromise

Turn it up, hungry for the medicine
Two-fisted till the very end
No more treated like aliens
We're not gonna take it

No lies, no more alibis
Turn it up, it's got me hypnotized
Rock on, I won't be tranquilized

('Cause I love it)

Loud, I wanna hear it loud
Right between the eyes
Loud, I wanna hear it loud
Don't want no compromise

(I love it)

Loud, I wanna hear it loud
Right between the eyes
Loud, I wanna hear it loud
Don't want no compromise

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!

(Turn it up)

Headline, jungle is the only rule
Front page, roar of the nations cool
Turn it up, this is my atttude
Take it or leave it

Loud, I wanna hear it loud
Right between the eyes
Loud, I wanna hear it loud
Don't want no compromise

(I love it)

Loud, I wanna hear it loud
Right between the eyes
Loud, I wanna hear it loud
Don't want no compromise

(I love it)

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!

Eu Amo Isso Alto

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!

Levante-se, você não precisa ter medo
Abaixe-se, o amor é como furacão
Garoto de rua, não, eu nunca poderia ser domado
Melhor acreditar nisso

Culpado, até que provem minha inocência
Chicoteado, acidente do heavy metal
Agite, eu quero ser presidente

(Porque eu amo isso)

Alto, eu quero ouvir isso alto
Bem no meio dos olhos
Alto, eu quero ouvir isso alto
Eu não quero me comprometer

Aumente, faminto pelo remédio
Com dois punhos até o fim
Não seremos mais tratados como alienígenas
Nós não vamos aguentar isso

Sem mentiras, sem álibis
Aumente, isso me hipnotizou
Agite, eu não serei tranquilizado

(Porque eu amo isso)

Alto, eu quero ouvir isso alto
Bem no meio dos olhos
Alto, eu quero ouvir isso alto
Eu não quero me comprometer

(Eu amo isso)

Alto, eu quero ouvir isso alto
Bem no meio dos olhos
Alto, eu quero ouvir isso alto
Eu não quero me comprometer

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!

(Aumente)

Manchete, a selva é a única lei
Primeira página, rugido da nação
Aumente, esta é minha atitude
É pegar ou largar

Alto, eu quero ouvir isso alto
Bem no meio dos olhos
Alto, eu quero ouvir isso alto
Eu não quero me comprometer

(Eu amo isso)

Alto, eu quero ouvir isso alto
Bem no meio dos olhos
Alto, eu quero ouvir isso alto
Eu não quero me comprometer

(Eu amo isso)

Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!
Hey hey hey, yeah!


Do site letras.mus.br

Agora vejamos um trechinho do longo poema de Walt Whitman, A Song for myself, verso 52 (Uma canção para mim mesmo):

"I too am not a bit tamed
I too am untranslatable,
I sound my barbaric yawp over the roofs of the world."



                                                             Sir Walt Whitman


Tradução:

Eu também não fui domado
Eu também sou intraduzível,
Eu solto meu brado bárbaro sobre os telhados do mundo.

Quem assistiu e apreciou o filme Sociedade dos Poetas Mortos, vai lembrar que tem uma cena em que o professor fala esse verso "I sound my barbaric yawp over the roofs of the world". Era um momento em que ele tentava desreprimir um aluno, para que este conseguisse se expressar.

Agora vejamos a letra dos Titãs:

AA UU

AA UU   AA UU
AA UU   AA UU

Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar


AA UU   AA UU
AA UU   AA UU
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar

AA UU   AA UU
AA UU   AA UU
 Estou ficando cego de tanto enxergar
Estou ficando surdo de tanto escutar

AA UU   AA UU
AA UU   AA UU
Não como, não durmo, não durmo, não como
Não como, não durmo, não durmo, não como
Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar


Então aí está, pessoal. Esta é a minha homenagem ao Rock no dia de hoje.

Obrigada a todos que leram até aqui...

   

domingo, 2 de junho de 2013

CORDAS, FIOS E TRANÇAS

1. Os instrumentos de cordas são violão, violino, violoncelo, viola, harpa e guitarra.

2. Ao ouvir a quinta sinfonia de Beethoven, as veias do meu coração se esticam.

3. O sr. José se enforcou na varanda do seu apartamento, na madrugada do dia 13 de agosto de 1999 porque estava com seus bens penhorados. Rapunzel, sua filha, passou mal quando chegou em casa e teve que tomar Stillnox durante um mês.

4. Os violões que choram estavam guardados no quartinho do fundo do apartamento do sr. José. Não serviram para desenrolar a penhora.

5. Acharam um Stradivarius sem nenhum arranhão sob os escombros depois do ciclone. A casa em ruínas era na rua Vivaldi, 88.

6. Ariadne, vizinha do sr. José, perdeu o fio da meada quando ouviu o tranco naquela noite.

7. Para amarrar o saco preto de lixo, a empregada Maria usou o restinho da corda que o Sr. José usou. Foi o suficiente.

8. O chefe de Ariadne disse que o projeto dela tem que estar amarrado com o projeto do pessoal do orçamento. Ela achou um absurdo e preferiu ouvir Eddie Van Halen.

9. A caixa de energia da casa de Maria teve um curto-circuito por causa das gambiarras feitas para puxar energia dos postes. O incêndio atingiu toda a comunidade. Maria perdeu até os elásticos de cabelo.

10. No incêndio, o filho de Maria sofreu uma queda e quebrou o fêmur. Foi parar no hospital, está internado e entubado. Agora, Maria sente dores nas entranhas.

Texto criado por mim durante as reuniões do projeto Tantas Letras! de SBC.

sábado, 3 de novembro de 2012

36a mostra internacional de cinema em São Paulo

Nesta última semana, tive a oportunidade de ir assistir a dois filmes da 36a mostra internacional de cinema. Não posso deixar de lembrar León Cakoff, que foi o responsável por este evento existir e sua esposa, Renata que deu continuidade a isso. Devemos saber que ter uma mostra internacional de cinema é um direito, mas é também, um grande privilégio. Aliás, tudo o que se relaciona a arte é assim: é um direito, mas é um deleite e um privilégio, antes de tudo. 

Primeiramente fui assistir ao Nostalgia, de Andrei Tarkovsky. Ele mesmo disse em uma entrevista que o artista deve servir à arte e não o contrário. Ele diz também que a arte influencia o espírito humano. E como! Que filme, gente!! É um mergulho no abismo. Poesia e filosofia correm soltas ali. Imagens simbólicas nos menores detalhes. Ambiente de penumbra. Planos impecáveis. Uma angústia de gelar as artérias. Ao terminar o fime, saí da sala até com tontura. Muito impactante.

Depois, no último dia da mostra, fui assistir ao espetáculo da projeção do Nosferatu. Foi no auditório do Parque do Ibirapuera. Pleno feriado de finados, tempo nublado e com garoa, assistir ao filme sentado no chão! Incrivelmente, o gramado lotou, mesmo que 1 milhão e meio de carros tinham partido rumo ao litoral paulista. Ficou parecendo show de rock. O filme ia começar às 20h00min, às 19h30min já estava intransitável. Fiquei mais de uma hora e meia sentada no chão tomando garoa e frio, ganhei uma belíssima dor nas costas, mas não tem problema, porque o filme é uma verdadeira relíquia. Ainda por cima, acompanhado de orquestra ao vivo. Isso é impagável. A música foi composta especialmente em homenagem a Bram Stoker, porque este ano é o centenário de sua morte.

Nosferatu foi a primeira adaptação para o cinema do romance Drácula de Bram Stoker e é um modelo do Expressionismo alemão. 

Bem, por hoje é só.

Levei cerca de 30 minutos para conseguir sair do parque por conta da quantidade de pessoas presentes no evento.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

4 de outubro, dia do Amado Mestre São Francisco de Assis



Hoje é dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis e também dia dos animais. Independentemente da crença religiosa de cada um, São Francisco de Assis é um Mestre, um modelo de Ser Humano de verdade. Seus ensinamentos deveriam ser mais estudados e as virtudes que ele demonstrou com os exemplos de sua história de vida, deveriam ser lembradas diariamente.

Então, quero propor algumas reflexões sobre esse assunto.

1) O trem foi inventado em meados do século XIX. Antes disso, todas as viagens e transportes eram feitos por cavalos, mulas, bois, camelos e eqüinos em geral no mundo todo. O que pode justificar ou explicar a extrema crueldade com que são tratados esses animais até hoje, tendo em vista que devemos muito a eles? Touradas, vaquejadas, farra do boi, cavalos de carroças, a indústria da carne, as fazendas de leite, circos, rodeios e sei lá mais quais barbáries o ser humano pode inventar, por que isso é considerado normal?


2) Segundo a organização PETA (sigla em inglês para Pessoas por um tratamento ético aos animais), só nos EUA, 100 milhões de animais (cães, gatos, coelhos, macacos, hamsters e etc) morrem (depois de levar uma vida de pura dor) por ano em testes realizados pelas indústrias química, farmacêutica, cosmética e alimentícia e em experimentos nas faculdades de medicina e toda a área de biomédicas. Fonte: Revista dos Vegetarianos, setembro de 2012.

Fazem isso em nome do "progresso da ciência".

Durante a segunda guerra mundial, judeus, negros, ciganos e homossexuais eram mandados aos campos de concentração nazistas. Muitos deles foram submetidos aos testes científicos dos médicos nazistas. Só para citar um exemplo desses experimentos: a pessoa era colocada num tanque de gelo e deixada ali para os cientistas calcularem o tempo de agonia e o que acontece com o organismo numa situação dessas, como a pessoa vai morrer, etc.

Eles também faziam isso em nome do "progresso da ciência".

Por que nós temos que conviver com isso?



3) O empresário Mário Matsunaga era caçador por esporte. Segundo fotos e relatos divulgados recentemente, ele capturava o animal e o deixava agonizando até morrer e enquanto isso, posava para fotos. Era sempre acompanhado pela esposa, Elise Matsunaga. Depois a esposa o assassinou daquele jeito. Qual é a relação entre os eventos?

4) Milhões de aves e animais silvestres são capturados e mortos no transporte e no processo de comercialização deles. Qual é o grande prazer que a pessoa sente em confinar um belo pássaro numa gaiola para o resto de sua vida? Seria algum tipo de sadismo requintado travestido de amor por aves?

5) Cães e gatos "de rua" não são de rua. São ABANDONADOS, é muito diferente. Foram abandonados por seres humanos cruéis e irresponsáveis.O repórter Record exibiu reportagem sobre o abandono. Reportagem fiel e muito bem conduzida por Marcelo Rezende. O CCZ não é depósito de animais e nem hotel 5 estrelas. Os abrigos de protetores estão abarrotados pelos mesmos motivos: o abandono, a indiferença e a ignorância que cresce e recrudesce na mente coletiva. O que podemos concluir sobre uma sociedade que é INCAPAZ de cuidar ou de respeitar seres tão simples como cães e gatos?

6) Os canis de criação para comercialização de cães e gatos são verdadeiros campos de tortura. Recentemente a Record exibiu excelente reportagem sobre o assunto no Domingo Espetacular. Essa também é uma das causas do abandono.
Comprar e vender são atividades próprias do mundo capitalista. Compramos e vendemos coisas e serviços. Como é que se pode achar normal comercializar animais, se eles não são coisas nem serviços? Raciocínio obtuso.

Essas são apenas algumas questões sobre a problemática da relação ser humano e animal. Mas o assunto é muito mais amplo e mexe com as nossas estruturas mais profundas.

Por hoje, convido a todos para pensarem e refletirem sobre isso. E que o Amado Mestre Francisco de Assis possa iluminar nossas mentes e corações na direção de uma convivência mais pacífica e justa para com os animais.